segunda-feira, 29 de junho de 2009

O desacordo



Vivo da escrita. Para o bem e para o mal. Vivo de transformar ideias, conceitos, discursos, factos, pensamentos em letra de forma. A língua portuguesa é a minha ferramenta de trabalho.

Até há algum tempo tomei a opção consciente de ignorar olimpicamente o novo acordo ortográfico. Ah, até isso chegar... Ah, estou-me marimbando... Ah, enquanto o pau vai e vem...

O pau vem aí. Dizem que vai entrar em vigor ainda este ano. E eu sentei-me a olhar melhor para o que aí vem.

E se algumas coisas fazem algum sentido, embora eu ache que tira a beleza a muitas palavras - como baptizar/batizar ou excepcional/excecional - outras são um verdadeiro crime ao bom entendimento entre os povos que tanto querem facilitar a comunicação.

Querem um exemplo ridículo? Passaremos de espectáculo a espetáculo. Aqui da minha varandinha sobre a língua pátria, um espetáculo seria não uma manifestação cultural mas sim um local onde se espetam coisas. Mas isso sou eu, que tenho mau feitio.

Mas há coisas bem mais sérias. Por exemplo? De acta passaremos a ata. Que eu saiba - mas quem sou eu... - ata é o presente do indicativo do verbo atar, na terceira pessoa do singular. Eu ato. Tu atas. Ele ata.
E eu é que me sinto atada perante tal desatanço diarreico-mental.

E de pêlo passaremos a pelo. Conseguem imaginar a confusão que isto vai dar? Eu consigo. Por isso prefiro um beber um copo para tentar engolir mais este sapo.

3 comentários:

rodas disse...

Não me digas que agora enfrascas a pensar no acordo?? Ok babe, desde que enfrasques água. Nada de vodka...

Beijo

Marta disse...

É. O pau vem aí e vai doer. Sou tão contra que nem sei como explicar o quão contra eu sou. Achas que podemos simplesmente não aderir? Será que podemos irgnorar este facto (e não fato)?

je moi même disse...

Vou tentar ignorar olimpicamente enquanto me for possível, acredita. Só me vão arrancar uma palavra "acordada" quando a minha sobrevivência profissional disso depender...