terça-feira, 29 de junho de 2010

Despedida


Creio que é agora que me levanto. Agora que a sala está vazia, é só minha, como tantas e tantas noites. Não farei outro serão no quinto andar sobre a avenida. Mas custa tanto virar costas a um amor intenso.

E amei o 24horas, provavelmente como a um filho, sim, que nasceu também de mim. Um filho que me deu tantos momentos felizes, de desafio, mas que também me magoou e tantos erros cometeu enquanto crescia. Um filho ao qual tentei passar, pelo exemplo, aquilo que todos os pais querem passar aos filhos: bons valores. Lealdade, profissionalismo, frontalidade e, acima de tudo, respeito pelo código deontológico. Mas os filhos nunca são bem aquilo que sonhamos que eles sejam, não é? E nem por isso os amamos menos.

Levo daqui a dúzia de papéis que acumulei nestes quase treze anos, uma flor de plástico que já não sei de onde veio, a andorinha que em tempos recortei e colei no ecrã, umas quantas pen com arquivo vário e o bom nome que tanto lutei por manter, por entre chuvas cor-de-rosa e temporais. Provavelmente pago-o hoje com este adeus.

E levo lágrimas.
Custa horrores ver um filho morrer-nos nos braços.

13 comentários:

Vanita disse...

Custa horrores ver esta foto. Tia, tivémos o privilégio de viver uma experiência única que poucos poderão compreender. Só estando lá, só vivendo o dia-a-dia, só assim se sabe o que tínhamos. Porque, como disseste, é como um filho. E amor de mãe não se explica, não se transmite. Sente-se e eu sinto muito.

Coragem!

Anónimo disse...

N sei cm é... n faço ideia.. mas m tua leitora... deixa-me triste... muito... mas tal cm guerreira valente levantarte-ás e .. aiaiaiiaai.... vais ver..... eu vou ver.. a minha ANA EM GRANDE cm merece! VIVA a TIIIIIIIII!!!:D ass:Ritíssima

Anónimo disse...

tivÉmos, vânia?

como te percebo, Ana...

Alberto disse...

Pois és como as árvores...sempre de pé, minha amiga.

Peanut disse...

Triste, muito triste este desfecho... Ainda mais triste porque poderia ter sido muito diferente.
Eu tenho saudades do tempo que estive aí. Já lá vão sete anos desde que mudei de casa, mas ainda não tinha cortado em definitivo o cordão umbilical.
Digamos que não fui mãe desse jornal, como tu foste, mas sou filha dele.
Tenho a certeza absoluta que seria pior jornalista e provavelmente pior pessoa se não tivesse começado convosco. Obrigada, a ti e aos outros...
Senti falta de algumas caras na edição de despedida.

rodas disse...

É estranho. Fui lá esperar-te sempre que fui a Lisboa. Entrei duas vezes. Senti este teu amor, naquele cantinho. Lugar que vi logo ser o teu: com fotos e recortes colados por trás da cadeira. Espreitei a vista daquele 5.º andar. E hoje percebo que o nosso trabalho deixa saudades. Principalmente quando o interiorizamos da forma como tu o fazes. Fica isso na memória, na minha. Na tua, muito mais, certamente.

Carrega tudo o que de bom viveste para o futuro. Tenho a certeza que, como lutadora e amiga que és, o futuro continuará a sorrir! :)

Beijo, enorme.

Anónimo disse...

Hum, cheira bem neste 5º andar da avenida...

Joaquim E. Oliveira disse...

Foi a redacção mai linda onde trabalhei, lá isso foi!

Anónimo disse...

Em Portugal tudo acaba...Qual a Formula para acabar? SIMPLES : Basta ser transparente,Honesto,Activo,e agitar quem esta ao seu redor !
Em Um País de "deixa"andar e de pessoas com um grau cultural BAIXISSIMO...por isso a sondagem realizada ha pouco tempo dá a vitoria do sócrates...só prova o nivel das pessoas que temos e teremos. Assuma-se de uma vez que este País não é para HONESTOS e INTEGROS. Os Injustos,menos inteligentes e os Piratas e os mal formados, deixaram de ser a excepção,para se tornar a Regra ! Em Nenhum País Evoluido com Pessoas evoluidas,o 24HORAS NUNCA deixaria de existir

Anónimo disse...

"Nascemos de borla e passamos a vida a ganhá-la" e estamos sempre a perder .... beijinhos do tigrinho.:))

Anónimo disse...

cheira bem?

Anónimo disse...

Triste realmente mas muitas das vezes é uma maneira da vida nos mostrar que podemos estar errados quanto à nossa visão das coisas... e que podemos ser mais e mais... em vez de nos limitarmos a um simples escritório de pó e a comentários de dor daquilo que fomos... Não há que ter pena de nós ... em frente é que é o caminho... e quando não aprendemos voltamos a cair, quantas vezes forem necessárias para sermos melhores.

Vanita disse...

Passados alguns anos, venho cá responder ao anónimo que se amofinou com o meu comentário. A explicação é esta:

http://www.portoeditora.pt/acordo-ortografico/duvidas-frequentes/duvida18

Ainda assim, creio que era o menos importante neste post. Daí a demora na resposta.