quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Stand by


Queria apaixonar-me. Queria apaixonar-me de caixão à cova. Queria voltar a sentir as proverbiais borboletas no estômago. Queria a tontura da emoção sem restrições. Queria não pensar, não avaliar, não adivinhar futuros que nunca o serão, não topar à distância erros de casting. Queria sentir-me livre da prisão do bom senso, da noção das distâncias e das diferenças e das impossibilidades.

Queria enganar-me redondamente como já me enganei antes. Queria sentir aquele calor intenso a subir-me a espinha. Queria ignorar todos os sinais de perigo e todos os sentidos únicos. Queria ser tonta e crédula e impulsiva e despojada do sentido de mim para assumir o nós. Mesmo um nós que só existiria deste lado.

E queria sofrer estupidamente como antes sofri. Sofrer até sentir rasgaram-se as paredes do coração cá dentro. Ventrículos e aurículos transformados em ground zero. Sofrer até não saber quem sou nem o que faço aqui. Sofrer até ao limite. Até me lembrar de que estou viva. E que só por estar viva sou capaz de amar assim e sofrer assim.

6 comentários:

Pipoca dos Saltos Altos disse...

:)

Bem, a parte do sofrer pode ser retirada dessas vontades, que achas? Beijo

Anónimo disse...

Para quê?

Marta disse...

Cuidado com o desejas :) Nas voltas da vida, ainda voltas ao mesmo
Beijinho

Anónimo disse...

há mto tempo que não lia, e eu leio mais que aquilo que devia (que tenho os olhos feitos num oito), uma descrição tão pura e simples do que é apaixonar...o estar apaixonado...como sempre... parabéns tia almeida! beijo gd
isabel guerreiro

rodas disse...

Je t'aime...

Pedaços de Tempo disse...

E o que é que te impede? vai!
Luta pelos teus desejos e paixões..

Em Stand by é que certamente não encontrarás uma paixão, a tua paixão!

Go One!

Gostei deste teu "Stand by".
Bjs,
CR/de
www.carlosribeiro-photos.blogspot.com