* escrito para o quadro de Tadahiro Uesugi e publicado primeiro na rubrica diária "a-ver-livros" do blog Clube de Leitores.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Claridade
* escrito para o quadro de Tadahiro Uesugi e publicado primeiro na rubrica diária "a-ver-livros" do blog Clube de Leitores.
sábado, 23 de junho de 2012
No abraço do poema
Eu sei que é banal.
Mas dentre o banal é o mais espectacular dos momentos
em que dois corpos se tocam
em que duas galáxias se roçam
no amplexo da ternura
Já nem falo da saudade.
Falo apenas do abraço sentido
apertado
de quem se quer
bem
muito
tanto
sempre
Deixemos o desejo
para depois, quando os corpos acordarem
e escreveremos o livro
com que ambos sonhamos
* poema escrito sobre este quadro do pintor italiano Lorenzo Matttotti e publicado primeiro na rubrica a-ver-livros do blog Clube de Leitores
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Translúcida
Tenho os olhos postos na tarde.
Talvez assim chegue mais depressa a noite
- e os teus braços.
domingo, 10 de junho de 2012
Sementes
esta terra está contaminada
com as lágrimas
dos vermes
que comem memórias
de um sonho mau
E oferece-me
um chão novo
sementes de bonsai
caroços das cerejas
comidas
terça-feira, 5 de junho de 2012
Pormenores
Por menores que sejam
ficam em mim os teus sulcos
pormenores de nós nas paredes
dos tempos
* dedicado à Emiliana Silva, autora desta foto.
sábado, 2 de junho de 2012
Lava e flores
domingo, 20 de maio de 2012
Arruma-me entre livros
E esquece-me
Serei apenas um
retalho de memória
mastigado pelas térmitas
sem apelo
nem agravo
dos romances
de cordel,
encostada
à Barbara Cartland
e à Corin Tellado
para aprender
a gostá-las
domingo, 13 de maio de 2012
Glosando
deste-me um dia e uma noite
que caía
despedindo-se do inverno
que, teimosas,
insistiram em cair
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A mão
suspende-me o medo
ampara-me as noites
agarra na minha
sem a tocar
que procuro
no meio dos sonhos
no meio do sexo
e para sempre caída
no alcatrão quente
da memória
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Ódio manso
tatuado no meu peito
à força
das tuas unhas
Indelével.
em dor
em fel
em cicatrizes enormes
como cartazes
de aviso aos incautos.
dos lábios que te beberam
dos dedos que te percorreram
sem adivinhar
o fedor
que a tua pele deixaria
na minha.
presente como relâmpagos
na minha memória.
este ódio manso
que me permite guardar-te
para sempre
a meu lado.
sábado, 28 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Isto é um assalto
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Página a página

Visto-me das folhas que despes quando te leio.
Página a página, dedos percorrendo-te sem medo das vírgulas ou travessões. Entusiasmada na expectativa do ponto de exclamação que nos une num só, equilibrando pontos de interrogação que teimam em surgir.
Visto-me das letras que deixas na almofada ao amanhecer, quando sais de mansinho, livro levantado na biblioteca para ser lido por outros. Até voltares a casa e à ponta dos meus dedos.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Indomável
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Presente mais-que-perfeito

Gosto de chegar a ti
quando o sol se põe,
o lusco-fusco se instala,
quando atravessamos em pontas
o limbo entre o dia e a noite
Gosto de chegar até ti
na hora em que os gatos são pardos
e os cães fazem silêncio
Quando não é amor nem ódio,
nem rio nem mar,
e os meus pés estão
na areia húmida,
ainda não na água
As minhas mãos
a milímetros do teu rosto
e ainda não o tocam
Chegar a ti
quando a meio entre
o que ainda não somos
e o que um dia seremos,
presente mais-que-perfeito












