terça-feira, 5 de junho de 2012
Pormenores
Por menores que sejam
ficam em mim os teus sulcos
pormenores de nós nas paredes
dos tempos
* dedicado à Emiliana Silva, autora desta foto.
sábado, 2 de junho de 2012
Lava e flores
domingo, 20 de maio de 2012
Arruma-me entre livros
E esquece-me
Serei apenas um
retalho de memória
mastigado pelas térmitas
sem apelo
nem agravo
dos romances
de cordel,
encostada
à Barbara Cartland
e à Corin Tellado
para aprender
a gostá-las
domingo, 13 de maio de 2012
Glosando
deste-me um dia e uma noite
que caía
despedindo-se do inverno
que, teimosas,
insistiram em cair
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A mão
suspende-me o medo
ampara-me as noites
agarra na minha
sem a tocar
que procuro
no meio dos sonhos
no meio do sexo
e para sempre caída
no alcatrão quente
da memória
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Ódio manso
tatuado no meu peito
à força
das tuas unhas
Indelével.
em dor
em fel
em cicatrizes enormes
como cartazes
de aviso aos incautos.
dos lábios que te beberam
dos dedos que te percorreram
sem adivinhar
o fedor
que a tua pele deixaria
na minha.
presente como relâmpagos
na minha memória.
este ódio manso
que me permite guardar-te
para sempre
a meu lado.
sábado, 28 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Isto é um assalto
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Página a página

Visto-me das folhas que despes quando te leio.
Página a página, dedos percorrendo-te sem medo das vírgulas ou travessões. Entusiasmada na expectativa do ponto de exclamação que nos une num só, equilibrando pontos de interrogação que teimam em surgir.
Visto-me das letras que deixas na almofada ao amanhecer, quando sais de mansinho, livro levantado na biblioteca para ser lido por outros. Até voltares a casa e à ponta dos meus dedos.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Indomável
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Presente mais-que-perfeito

Gosto de chegar a ti
quando o sol se põe,
o lusco-fusco se instala,
quando atravessamos em pontas
o limbo entre o dia e a noite
Gosto de chegar até ti
na hora em que os gatos são pardos
e os cães fazem silêncio
Quando não é amor nem ódio,
nem rio nem mar,
e os meus pés estão
na areia húmida,
ainda não na água
As minhas mãos
a milímetros do teu rosto
e ainda não o tocam
Chegar a ti
quando a meio entre
o que ainda não somos
e o que um dia seremos,
presente mais-que-perfeito










