quarta-feira, 28 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Dinâmica
segunda-feira, 19 de março de 2012
Pai

Estás mesmo não estando.
Estás na estante que já não existe
e no olhar com que me abraçavas
quando me vias junto a ela,
janela aberta para o mundo.
Estás nos livros que acumulo ainda
sem querer ler no alto de outra estante.
Estás na partilha que sempre falou
mais alto que os abraços
ou até mesmo que as palavras.
Obrigada por estares,
mesmo quando o gesto é de adeus.
Silêncio

Não confundas
silêncio
com esquecimento
– Flutuam memórias
como palavras
cá dentro
e são tantas sobre ti
Temo dizer-te
e deixar-te fugir
nas entrelinhas,
partilhar-te
e ver desfazer-se em pó
o que é montanha
e é só meu
Caminho apenas
sem palavras
junto às tuas pernas,
– em silêncio,
o silêncio mais eloquente
que já ouvi falar.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Leva
sábado, 10 de março de 2012
A medida das coisas
segunda-feira, 5 de março de 2012
Conjugação do verbo precisar

Procuro dentro de mim o animal selvagem que não conhece fronteiras e que resiste as intempéries. Preciso dele, preciso que me guie pelas veredas deste momento, vertiginosamente descendentes, escorregadias, lamacentas.
Preciso muito que me puxe para fora da floresta negra e húmida em que me afundo. Preciso que uive e arranhe e esgadanhe, preciso que mostre os dentes e lidere o caminho. Eu estou sem forças.
[ilustração "Wildlife", by The White Deer]
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Um livro na mala
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Não me deixes
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Voo rápido

Questionam-me a articulação narrativa
Inquirem sobre a rede de símbolos
Duvidam da credibilidade trágica
Comparam metáforas poéticas
Esperam nem sei o quê
Quando não tenho mais
Do que as palavras de todos os dias
Para dizer
O que dói e o que sangra
E o que de vez em quando
Faz sorrir a alma
Como quando enlaçaste
Os teus dedos nos meus
E garantiste que nunca mais estarei só
E sendo mentira não
Deixou de ser verdade
Naquele instante
Em que o corvo crocitou
Lá atrás
E desapareceu
Num voo rápido
Como o das tuas juras
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Perdoa amar-me primeiro
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Não me RIPem

Acreditem que fiz todas as escolhas em consciência, que virei à esquerda quando quis e à direita quando me deu na veneta , e que estive sempre preparada para as consequências.
Não me mandem descansar em paz. Quero lá descansar. Quando morrer terei um mundo novo para desbravar, com corpo sem corpo, com voz sem voz, tanto faz. Será uma outra realidade, mesmo que apenas silêncio e escuridão, e eu tenciono tirar o maior partido dela que me for possível.
Quando eu morrer bebam uns copos por vocês e por mim, façam uns brindes, desejem-me boa viagem, prometam que não me esquecem com duas cantigas, nem três, vá lá, mas não me ponham num pedestal nem digam aquela coisa horrível do ‘coitada, morreu tão nova’. Fui quando tinha que ir, ou irei, melhor dizendo. Que não tenho pressa. Mas não tenho medo.
Só não me RIPem. Se começarem com essa merda, juro que volto cá e faço-vos a vida negra, ouviram!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Nos livros
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Não esperes

Não esperes de mim
o que não prometi
dar-te
Não esperes
a mão
que não te estendi
nem o beijo
que guardei
Não esperes de mim
as manhãs luminosas
que não partilhei
até agora
com os teus olhos
nem as estrelas
nocturnas
que espalhei no céu
sem lhes dar o teu nome
Não esperes de mim
mais do que o nada e,
quem sabe,
terás tudo
ilustração: Holly Lombardo











