sábado, 24 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Ventanias

Porque é que não estás
aqui
na almofada
onde o meu bafo
te beija
Porque não estás
ao alcance
dos meus dedos
Porque não estás
aqui
ao meu pé de semear
que sempre se enrosca
no teu
nas horas perdidas da noite
Porque não estás a meu lado
se a meu lado pertences
e as noites estão frias
e o meu coração gelado
e a saudade aperta
Deixa os moinhos,
amor,
vem salvar-me
das ventanias assombradas
do passado
domingo, 18 de dezembro de 2011
Farinha para bolos

Quero palavras felizes como os sorrisos
de então
Devolvam-mas que as mereço
Entreguem-mas que as cuidarei
Dêem-me a sua custódia que lhe farei juz
Quero enxertá-las nos vasos da janela
Misturá-las na farinha dos bolos
Deixá-las brincar com os carrinhos
para que já ninguém tem idade
Quero palavras felizes, só isso
Sem medo que não sejam verdade
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Lembrança
domingo, 11 de dezembro de 2011
Palavra de honra
Só tenho uma palavra
e é precisamente
a que não posso dizer-te
Não vão agigantar-se as manhãs
pela noite dentro
e o chão fugir-me
de debaixo dos pés
Só tenho uma palavra
e sei-a de cor
Repito-a em surdina
enquanto respiro
no dia após dia
a teu lado
Só tenho uma palavra
e uso-a contra mim
Atiro-a sem pudor
quando ninguém está a ver
estilhaço-a
nas minhas costas
Só tenho uma palavra
e faz eco cá dentro
ressoa nos túneis
onde passa o sangue
sempre cheio de pressa
Só tenho uma palavra,
uma palavra só,
que tu sabes qual é
e não queres ouvir
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Triacontaedro rômbico
cujas faces são 30 losangos.
Tem 60 arestas e 32 vértices.
Qualquer coisa como a vida.
Ou a morte.)
No pólen dos dias,
a convicção do amor.
É ela que serena
a alma
e que traz de volta o sorriso.
Que volte depressa.



