
Quando um dia
eu for desta para melhor
não se esqueçam
que levo comigo
os abraços e beijos
as flores e amores
as lágrimas
Que não me deram
em vida
Só tenho uma palavra
e é precisamente
a que não posso dizer-te
Não vão agigantar-se as manhãs
pela noite dentro
e o chão fugir-me
de debaixo dos pés
Só tenho uma palavra
e sei-a de cor
Repito-a em surdina
enquanto respiro
no dia após dia
a teu lado
Só tenho uma palavra
e uso-a contra mim
Atiro-a sem pudor
quando ninguém está a ver
estilhaço-a
nas minhas costas
Só tenho uma palavra
e faz eco cá dentro
ressoa nos túneis
onde passa o sangue
sempre cheio de pressa
Só tenho uma palavra,
uma palavra só,
que tu sabes qual é
e não queres ouvir
No pólen dos dias,
a convicção do amor.
É ela que serena
a alma
e que traz de volta o sorriso.
Que volte depressa.