segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Carregamentos móveis


Andas com o meu coração no bolso,
com o telemóvel,
guardado para um dia destes.

Talvez quando te faça falta
já não tenha bateria.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Se sorris quando ninguém está a ver...


... tem que ser por uma boa razão.
Mesmo que essa razão estremeça no temporal que se segue.
Ou apenas se dilua no silêncio.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Morrer


"Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso."

Da Maria Teresa Horta.
Se não sabem quem é... vão à wiki ou similar. Chama-se cultura, já agora.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Declaração formal praticamente reconhecida em notário


Para algumas pessoas o amor é tão fácil. Por elas vivem, por elas matam, por elas morrem, em doentia cegueira. Não pertenço a esse clube. Nem quereria pertencer a esse clube extremista. Não gosto de coisas fáceis nem radicais.
Gosto de ti. Tanto.

Quero viver não por ti mas contigo.
Quero matar só as tuas dúvidas e as minhas saudades.
E quero morrer ao teu lado, um dia, quando o tempo
cristalizar os nossos corpos na sua versão final.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sorriso


Enrosco-me no que resta
do teu cheiro
e durmo assim.
Dedos entrelaçados
na memória táctil
dos teus.
Quase, quase
completa.

E nada rouba
o sorriso
que pula e dança
cá dentro de mim.

domingo, 10 de outubro de 2010

Demoras?


Acordei com o teu nome entre os lábios.
Quem dera em meus braços
corpo e designação,
sorriso e respiração.

Acordei com o teu nome entre os lábios.
E desejei por instantes
a magia das palavras,
invocação.

domingo, 3 de outubro de 2010

Eu, a tipa que não liga a signos


Há dias foi-me solicitada uma pequena nota biográfica e eu, que tenho uma urticária antiga a currículos mais ou menos vitais, apenas conseguia lembrar-me a meu próprio respeito de que não gosto de usar saias.

No dia seguinte, nem por acaso - e devo avisar já que não acredito em coincidências, nem ligo pevas a signos... - mão amiga envia-me o meu perfil astrológico sacado de algures, acompanhado da seguinte nota: "Cuspida e escarrada!", vernáculo antigo que uso de forma recorrente, para grande desgosto de algumas pessoas mais sensíveis.

E, para meu confesso choque, lá estava euzinha, cuspida e escarrada letra por letra, como se estivesse a ver-me a um espelho, inclusive nos detalhes mais imodestos, ora que porra. Podia elaborar a respeito, abstenho-me. Opto por fazer copy paste. Pode ser que elucide alguém ou, a santinha virtual nos proteja e guarde, desencadeie um debate digno dos prós e contras...

"Existe dois tipos de sagitariana: as passivas e fracas que aceitam tudo sem levantar a cabeça, e as originais! Se o seu caso reporta ao primeiro, não perca tempo a ler este artigo. Caso contrário, saiba que nem sempre ela dirá o que você quer ouvir; na maioria das vezes, ela vai deixá-lo arrepiado com suas observações desconcertantes e francas. Mas, de vez em quando, dirá coisas tão maravilhosas que vão fazê-lo dançar de felicidade.
Ela talvez seja um pouco franca demais porque vê o mundo tal como ele é.
Ela não gosta de mentiras, e dificilmente alguma mulher Sagitário costuma mentir. E a gente tem que admitir que isso é uma óptima qualidade, não é?
As sagitarianas são muito independentes, e ambos os sexos mantêm uma certa distância aos laços familiares. Quando quiser que ela faça algo, peça-lhe: não tente mandar nela. A técnica dos homens das cavernas não funciona com esta mulher. Ela não nasceu para ser mandada, odeia ter que receber ordens e abomina todos os homens que tentam aprisioná-la. Ela gosta de ser protegida, mas não gosta de ser mandada. Se nem mesmo o seu pai consegue dominá-la, não vai ser qualquer um que vai achar que pode dar-lhe ordens!
A sagitariana não é de abrir mão da própria personalidade e da independência por homem algum. Deve ser por isso que – logo a seguir às mulheres do signo Aquário - representam o maior número de mulheres divorciadas!
Quanto mais nervosa fica, mais sarcástica e cínica se torna.
A sagitariana pode mandá-lo para o inferno com um grande sorriso nos lábios e ainda ridicularizá-lo na frente de todos, como se estivesse a divertir-se. Ela tem essa capacidade de torná-lo o bobo da corte, e ainda sair por cima como se nem tivesse sentido a força de suas ofensas.
Mas nem sempre ela será tão "amável" quando estiver realmente irritada... Enfrentar a raiva desta mulher não é pêra doce, acredite…
Como todo sagitariano (homem ou mulher), ela não é de fazer escândalos, mas se resolver fazê-lo é melhor esconder-se até a tempestade passar.
Afinal, não é prudente brigar com um signo que é metade gente, metade cavalo, e a metade humana ainda está armada!
Feliz daquele que tem a sorte de ter uma mulher deste signo como amiga. Ela alegrará as suas festas, será a sua melhor confidente e sempre estará ao seu lado quando todos os outros amigos tiverem abandonado o barco. Ela é tão generosa, paciente e atenciosa com todos os amigos, que seu telefone dificilmente fica muito tempo sem tocar. Se repararem bem, a maioria das sagitarianas recebem sempre telefonemas de amigos que nunca conseguem esquecê-las, mesmo que estejam distantes.
Ela é uma das poucas mulheres que costumam ter amigos de infância. Sim, eu disse amigos. Os mesmos que brincavam com ela na rua e que um dia perceberam que aquela menina “maria-rapaz” se tornou uma mulher.
Tentem reparar numa sagitariana a andar. Vejam como a maioria costuma andar com o nariz empinado, parecendo um cavalo puro-sangue.
Vejam como ela é uma mulher elegante e confiante, mesmo quando tropeça e derruba tudo pelo caminho! Sim, a coisa mais difícil de encontrar é uma sagitariana que não seja um pouco desajeitada.
Também costuma ter uma atitude um tanto displicente em relação a envolvimentos amorosos, o que pode levar algumas pessoas a achar que éuma mulher fria e insensível.
Puro engano! Ela emociona-se ao assistir a um filme triste e sonha consigo durante as noites em que estiver sozinha, mesmo que nunca confesse isso.
É possível que ela tenha guardado todos os bilhetes de amor que lhe escreveu, restos de flores que enviou e a primeira entrada do cinema a que foram juntos.
Mas não espere ver este seu tesouro tão cedo! A sagitariana não gosta de revelar seus segredos de amor. Deixá-lo ver esses segredos é assumir que está apaixonada. E ela odeia sentir-se fragilizada!
Se o romance acaba, por dentro ela pode estar triste, mas responderá com tanta inteligência e habilidade às perguntas dos amigos, que todos pensarão que tudo não passou de um simples namoro de Verão. Mal sabem como ela pode estar - e provavelmente estará - arrasada por dentro.
A idade realmente não importa quando o assunto é a sagitariana. Elas permanecem jovens mesmo quando envelhecem.
Adoram ser tratadas como meninas traquinas que não param num canto, sempre prontas a correr na rua com os rapazes! E é essa alegria de viver e esse eterno optimismo que enfeitiçam os homens de bom gosto! Nenhuma mulher é tão apaixonada pela vida quanto a sagitariana, e capaz de transmitir esse amor por todos os cantos por onde passa.
Estar ao seu lado é viver o bom humor e acreditar no futuro. Não importa que ela tenha milhões de amigos que ocupam grande parte do seu tempo, nem que passe o tempo todo a planear viagens ou sonhos que ainda quer realizar.
Amar uma mulher de Sagitário é recompensador e nunca é monótono. Não importa que ela não tenha aprendido a dizer o quanto ama - para ela, isso é difícil.
Quem já teve a felicidade de estar apaixonado por sagitarianas sabe que a melhor maneira que elas têm para demonstrar o que sentem é pela acção.
Nenhuma mulher beija tão bem ou irradia tanta vida e alegria quanto uma nativa deste signo que, após passar várias noites em claro, chega à conclusão que sente muito mais do que amizade por alguém! E, quando as setas do arqueiro penetram em nossos corações, não há magia no mundo que possa nos livrar do poder do amor de uma sagitariana!"

Pois...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sinal


Fecho os olhos
e sei o instante
em que tudo foi mais
que corpo e suor,
eclipse total do mundo lá fora.

Fecho os olhos
e estou parada
no mais perfeito semáforo do tempo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Adeus, verão


E o verão acabou. Adeusinho, verão. Meio mundo suspira, quere-o de volta, chora-lhe a partida. Outro meio tem esperança que o que dele resta se apague, querem gorros e casacos, frio e lareiras. Eu, ali no meio. A pensar como detesto temperaturas extremas, como me derreiam, me dominam, me anulam, feliz com o Outono.

Feliz com a palermice quase pavloviana de tanta gente apenas associar verão com férias; feliz com os automatismos mentais que afastam tanto povo da beira-mar assim que se chega ao último-dia-de-verão, como se lhes retirassem o passe social para a praia. Feliz, feliz, feliz.

O paredão agora é só meu e de mais uns quantos a quem não importa se chove ou faz sol. O areal já não tem restos de lanches e milhares de pegadas. O mar já não se enrola nas vozes da turba nem no som dos rádios ou das criancinhas mais exasperantes. Enrola-se apenas, se eu deixar, na tua voz, amor, enroscadinha na minha orelha esquerda, matando saudades.

domingo, 19 de setembro de 2010

direcção felicidade


Estrada.
Longa.
Tempo.
Tanto.
Braços.
Abertos.
Coração.
Suspenso.
Passos.
Seguros.

Acredito que vens devagar
mas vens a caminho.
De nós.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Princípio, meio e fim


Na mesa de cabeceira há um livro que se arrasta pelo que resta do verão. Um livro que não me convence de todo e que, ainda assim, não consigo abandonar. De cada vez que o volto a pousar, cansada de tentar tirar dele prazer, renego-o. Garanto que amanhã, na hora de me aninhar na almofada de óculos no rosto, farei outra escolha, avançarei para mais verdes pastos.

E, no entanto, quando a alma diz que é hora de ler, a mão continua a esticar-se na direcção do topo da pilha e a agarrar o mesmo livro. Talvez hoje consiga dar cabo dele, já falta menos de metade, digo de mim para comigo, optimista inveterada, o que tantas vezes não ajuda. E, ali a jeito, outras opções, várias garantidamente mais entusiasmantes, algumas na fila de espera há meses, tantos que chego a sentir-me o sistema nacional de saúde.

Acho que também sou assim noutras coisas. Não sei desistir a meio, tenho que levar o processo até ao fim, ficar com a certeza sobre se valeu ou não a pena. E, se não valeu, poder arrumar na prateleira sem crises de consciência ou dúvidas mais ou menos metódicas. Não sei viver de outro modo, que querem...

sábado, 4 de setembro de 2010

Eyes wide shut


Não quero outra pele
senão a tua,
outro toque
que não o teu,
outro cheiro que não o nosso
suados
profundamente esgotados
da nossa dádiva
mútua.

Não quero outras palavras
senão as poucas
que me ofereces,
nunca tive tantas certezas
alinhavadas no silêncio.

Acredito nos actos
nos pequenos gestos
que leio de olhos fechados.

Ter.

E ter a certeza absolutamente absoluta sintética analítica
de que és a outra metade de mim.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Arsenal


Desenho um círculo de amor
à tua volta
e obrigo-te a render

não há arma mais poderosa
do que um coração convicto

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sorri. É a segunda melhor coisa que podes fazer com esses lábios...


Ou então beija-me.
Beija cada milímetro de mim
cada recta, cada curva
cada detalhe escondido
no corpo que é o meu.

Beija-me as noites de insónia
e os sorrisos de sol,
os disparates adolescentes
e as conversas sérias.

Beija-me as dúvidas cheias de certezas,
o coração convicto que não vacila.

E beija, amor, as palavras que ainda não te disse
mas que sei que sabes que direi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Verbo


Quero escrever a angústia que me vai por dentro.
Quero arrancá-la de mim, letra por letra. Talvez assim a minha alma amarfanhada recupere o jeito de dicionário organizado de A a Z.
Quero pôr no papel esta dor que me consome, traduzi-la para todas as línguas que conheço para que ninguém lhe fique indiferente.
Quero encontrar sinónimos para o fel que se agiganta cá dentro e antónimos que sirvam para conjurar a magia das palavras que me vão salvar.
Quero desatar em poesia este aperto que me rói, fazer quadras com a aflição, versos de pé quebrado para enxotar o tormento.
Quero tão pouco, não mais do que ser amada.
E contento-me em respirar todos os dias - sabendo que, apesar de tudo, o coração ainda mora no condomínio deste peito que é o meu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Coisas


Tenho coisas a dizer-te.
Coisas que só devem ser ditas
da minha boca para os teus olhos,
para que nela vejas
o coração a espreitar.

Tenho coisas a dizer-te.
Coisas que não passam.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Obrigada

Às vezes tenho a sensação de que escrevo aqui para o boneco. De que falo para o vento - e por que seria de outra forma se pouco do que digo/escrevo tem real importância para o mundo? Não tenho resmas infindáveis de comentários, fãs indefectíveis daqueles que vêm dizer amén a cada peido em letra de forma (que nojo metem ao invés de afagarem egos), prémios fofinhos que não importam um chavelho, sequer sou mencionada nas listas subjectivas dos blogues que estão na moda. Também de nada disto sinto a falta, admito-o. O mais provável seria roubarem-me do prazer de achar que ninguém me lê e que, por isso, posso escrever o que me der na realíssima veneta.

Ainda assim sinto-me por vezes um fantasma agarrado às teclas. Mas só até andar por aí a chariscar o mundo blogueiro e dar com um link para este cantinho num tasco de que nunca ouvira falar antes, que não faço ideia a quem pertence e a que, devo dizer, não reconheço o estilo ou as histórias. Algures por aí no mundo virtual alguém achou que as minhas linhas ao vento mereciam passar a vir inclusas no rol de sítios a visitar.

Arregalei os olhos, carreguei na ligação - não fosse haver por aí outro blog com este nome, sei lá - e voltei aqui para vos contar, a uns quantos que reconheço e aos outros que entram, lêem e saem em bicos de pés, sem fazer barulho para não incomodar a fera, que durmo esta noite com um sorriso acompanhado.

Qual?

Tive uma fase em que lia mais Lobo Antunes. Tive outra em que lia mais Saramago. Escolher um dos dois nunca fez sentido. Até porque, de vez em quando, um deles fala/escreve como se de dentro de mim.

"Fazes-me falta, meu cabrão, há tanto para contarmos um ao outro. O fim de um amigo é um martírio, não páras de te agitar cá dentro, raios te partam" ... escreveu um deles. Adivinham qual?

(E sim, já vi maneiras mais subtis de chocalhar a saudade)