sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sorri. É a segunda melhor coisa que podes fazer com esses lábios...


Ou então beija-me.
Beija cada milímetro de mim
cada recta, cada curva
cada detalhe escondido
no corpo que é o meu.

Beija-me as noites de insónia
e os sorrisos de sol,
os disparates adolescentes
e as conversas sérias.

Beija-me as dúvidas cheias de certezas,
o coração convicto que não vacila.

E beija, amor, as palavras que ainda não te disse
mas que sei que sabes que direi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Verbo


Quero escrever a angústia que me vai por dentro.
Quero arrancá-la de mim, letra por letra. Talvez assim a minha alma amarfanhada recupere o jeito de dicionário organizado de A a Z.
Quero pôr no papel esta dor que me consome, traduzi-la para todas as línguas que conheço para que ninguém lhe fique indiferente.
Quero encontrar sinónimos para o fel que se agiganta cá dentro e antónimos que sirvam para conjurar a magia das palavras que me vão salvar.
Quero desatar em poesia este aperto que me rói, fazer quadras com a aflição, versos de pé quebrado para enxotar o tormento.
Quero tão pouco, não mais do que ser amada.
E contento-me em respirar todos os dias - sabendo que, apesar de tudo, o coração ainda mora no condomínio deste peito que é o meu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Coisas


Tenho coisas a dizer-te.
Coisas que só devem ser ditas
da minha boca para os teus olhos,
para que nela vejas
o coração a espreitar.

Tenho coisas a dizer-te.
Coisas que não passam.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Obrigada

Às vezes tenho a sensação de que escrevo aqui para o boneco. De que falo para o vento - e por que seria de outra forma se pouco do que digo/escrevo tem real importância para o mundo? Não tenho resmas infindáveis de comentários, fãs indefectíveis daqueles que vêm dizer amén a cada peido em letra de forma (que nojo metem ao invés de afagarem egos), prémios fofinhos que não importam um chavelho, sequer sou mencionada nas listas subjectivas dos blogues que estão na moda. Também de nada disto sinto a falta, admito-o. O mais provável seria roubarem-me do prazer de achar que ninguém me lê e que, por isso, posso escrever o que me der na realíssima veneta.

Ainda assim sinto-me por vezes um fantasma agarrado às teclas. Mas só até andar por aí a chariscar o mundo blogueiro e dar com um link para este cantinho num tasco de que nunca ouvira falar antes, que não faço ideia a quem pertence e a que, devo dizer, não reconheço o estilo ou as histórias. Algures por aí no mundo virtual alguém achou que as minhas linhas ao vento mereciam passar a vir inclusas no rol de sítios a visitar.

Arregalei os olhos, carreguei na ligação - não fosse haver por aí outro blog com este nome, sei lá - e voltei aqui para vos contar, a uns quantos que reconheço e aos outros que entram, lêem e saem em bicos de pés, sem fazer barulho para não incomodar a fera, que durmo esta noite com um sorriso acompanhado.

Qual?

Tive uma fase em que lia mais Lobo Antunes. Tive outra em que lia mais Saramago. Escolher um dos dois nunca fez sentido. Até porque, de vez em quando, um deles fala/escreve como se de dentro de mim.

"Fazes-me falta, meu cabrão, há tanto para contarmos um ao outro. O fim de um amigo é um martírio, não páras de te agitar cá dentro, raios te partam" ... escreveu um deles. Adivinham qual?

(E sim, já vi maneiras mais subtis de chocalhar a saudade)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Gastronomia


Tirei o coração
da redoma protectora
onde a tua mentira o guardou
durante tanto tempo.

Servi-to de bandeja.

Provaste, cuspiste
e, displicentemente,
deixaste o que sobrou,
em sangue,
à beira do prato.

Há pessoas que não sabem apreciar
quando se lhes oferece uma iguaria.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Canícula

O calor está a dar-me cabo da moleirinha.

O acórdão da Casa Pia, depois de adiado de 9 de Julho para 5 de Agosto,
voltou hoje a ser adiado para 3 de Setembro!

A ex-mulher do rei Ghob refere-se-lhe sempre como
"o sr. Fernando Leitão"...


Ah, e o manhoso jeitoso da voz rouca dos anúncios daquela operadora telefónica voltou.
Mas quem raio lhe fez este penteadinho ridículo acompanhado da barbicha à D'Artagnan?!

P... da canícula!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Absoluto


E o sorriso voltará a erguer-se
no rosto de quem ama.

Que o Amor é rei absoluto.

E mesmo quando fere, pune ou mata
lá terá sua razão.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Outras palavras

E há dias em que as palavras de outro alguém parecem
ter sido escritas a pensar em nós, nos nossos,
naquele que amamos.

"Quando eu disser a todos que te amo.
Quando eu gritar, finalmente, o que sinto por ti.
Quando eu perder este medo de mim, de ti, de nós.
Quando eu estiver preparado para te ter, para nos ter.
Quando eu puder sentir, sentir-te, sem medo do amanhã, dos outros, do mundo.
...Quando eu conseguir dizer que te amo sem sequer dizer alguma coisa.
Quando eu ouvir-te dizer que me amas sem que me digas coisa alguma.
Quando eu disser a todos que te amo, o Sol vai nascer mais quente, a Lua vai ficar mais alta e até o Céu ficará mais azul.
Meu amor, quando eu disser a todos que te amo, também te vou dizer a ti.
Aos outros direi, a ti dar-te-ei o mundo."

by Rui Miguel Barata.

Fico à espera. Acredito que o dia chegará.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Bem querer


Serei quanto
quiseres que seja
e o que for
serei por inteiro.

Mas ser tudo
para ti
é quanto quero.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Despedida


Creio que é agora que me levanto. Agora que a sala está vazia, é só minha, como tantas e tantas noites. Não farei outro serão no quinto andar sobre a avenida. Mas custa tanto virar costas a um amor intenso.

E amei o 24horas, provavelmente como a um filho, sim, que nasceu também de mim. Um filho que me deu tantos momentos felizes, de desafio, mas que também me magoou e tantos erros cometeu enquanto crescia. Um filho ao qual tentei passar, pelo exemplo, aquilo que todos os pais querem passar aos filhos: bons valores. Lealdade, profissionalismo, frontalidade e, acima de tudo, respeito pelo código deontológico. Mas os filhos nunca são bem aquilo que sonhamos que eles sejam, não é? E nem por isso os amamos menos.

Levo daqui a dúzia de papéis que acumulei nestes quase treze anos, uma flor de plástico que já não sei de onde veio, a andorinha que em tempos recortei e colei no ecrã, umas quantas pen com arquivo vário e o bom nome que tanto lutei por manter, por entre chuvas cor-de-rosa e temporais. Provavelmente pago-o hoje com este adeus.

E levo lágrimas.
Custa horrores ver um filho morrer-nos nos braços.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Eu acredito. E tu?

Bless the Broken Road
Rascall Flats

I set out on a narrow way many years ago
Hoping I would find true love along the broken road
But I got lost a time or two
Wiped my brow and kept pushing through
I couldn't see how every sign pointed straight to you
Every long lost dream led me to where you are
Others who broke my heart they were like northern stars
Pointing me on my way into your loving arms
This much I know is true
That God blessed the broken road
That led me straight to you

I think about the years I spent just passing through
I'd like to have the time I lost and give it back to you
But you just smile and take my hand
You've been there you understand
It's all part of a grander plan that is coming true

Every long lost dream led me to where you are
Others who broke my heart they were like northern stars
Pointing me on my way into your loving arms
This much I know is true
That God blessed the broken road
That led me straight to you

Now I'm just rolling home
Into my lover's arms
This much I know is true
That God blessed the broken road
That led me straight to you

That God blessed the broken road
That led me straight to you.

(http://www.youtube.com/watch?v=lZp6pmgbZyU&feature=PlayList&p=DBD7F959A9B2729F&playnext_from=PL&playnext=1&index=27)

Amanhã

Um dia perco-me
contigo

Ou talvez me encontre em ti,
sem medo dos passos
que se seguem

Encontrar-me-ei
nos teus braços
nos teus olhos

Naquele recanto
do teu pensamento
do teu coração
a que só eu chego

Provar-te-ei
estar ao teu lado
sejam quais forem
as curvas da vida

E a estrada
será nossa

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por essas e por outras

Escrevo curto, grosso e às golfadas, como quem vomita algo que lhe está atravessado nas entranhas. Por essas e por outras é que nunca vai sair de mim um romance inteiro, só paixões assolapadas e efémeras.

Origami


Queria falar-vos de meia dúzia de coisas. De como há momentos que doem hoje como ontem, como doeram há anos, há tantos anos. De como a saudade não tem relógio no pulso. Queria falar-vos de tudo isso mas não sei das palavras, enroladas nas ondas desta maré palerma que teima em tornar mais cinzento o dia, como se a saudade tivesse data certa para doer mais cá dentro.

Queria isso tudo. Mas só me ocorre origami. A sério. Só consigo pensar em pedacinhos de papel transformados em vida. Em arte. Dobrados e redobrados carinhosa e cuidadosamente por dedos de gente que sabe o valor do detalhe.

É assim a saudade. Um trabalho de minúcia cá dentro do coração. Podia transformar-se num pássaro. Ou num cavalo. Isso. A saudade que tenho de ti é um inquieto cavalo em origami no meu peito.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vuvuzelas que os partam!


Chacinemos alegremente o grandessissimo filho - ou filha - da respectiva progenitora que teve a atormentadora ideia de vender vuvuzelas em apoio à selecção.

Hoje fui acordada por um coro delas, qual manada de elefantes enraivecida proveniente de uma escola primária próxima.

Se eu fosse professora ali acho que metia baixa psiquiátrica. Não sendo, acho que tenho que passar a dormir de algodão nos ouvidos enquanto as porcas das criancinhas não forem de férias...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Memória


Vou lembrar
a tua mão no meu rosto
nas minhas costas
na minha anca
escorregadia
do suor.

Vou lembrar
o teu beijo molhado
na minha nuca
no meu peito
na minha pélvis
inundada
de nós.

Vou lembrar
o cheiro da tua pele
o sabor da tua pele
o calor da tua pele
o prazer da tua carne.
Vou lembrar
o orgasmo
que era amar-te.

Vou lembrar-te.

Até te esquecer.

terça-feira, 18 de maio de 2010