segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher


Leio as veias
neste corpo estranho,
mapa de estradas
de quem sou,
sem sul ou norte.

Leio as linhas
que cruzam o rosto,
guias para
dentro de mim,
fraca ou forte.

Leio na mente
o que não digo,
silêncio que
todos teremos,
a morte.

Citação


"O meu vício é apaixonar-me. Uma coisa patológica. Um hábito repetitivo que degenera sempre em merda e causa prejuízos vários. Não que me apaixone por tudo e por nada e por dá cá aquela palha, até porque dá muito trabalho e é deveras cansativo garantir uma vida que satisfaça este instinto cavernoso de entrar na alma das outras pessoas e virá-las do avesso. Ninguém aguenta viver sempre num pico igual ao Everest. Até porque isso gela o nariz."
by Mónica Marques

quarta-feira, 3 de março de 2010

E já agora...


Já agora que estou com a mão na massa... A PSP - com agentes fardados e à paisana! - vai passar a andar por aí entusiasmada a multar peões que atravessem fora das passadeiras, coimas de seis a trinta euros cada. Ao que parece é uma missão para tentar diminuir os atropelamentos, o que, à partida, soa lindamente.

Mas, tendo em conta que quando uma velhinha é assaltada por esticão no meio da rua nunca há um polícia à vista, sempre quero ver quantos aparecem para multar a mesma velhinha se ela não for à zebra...

Perguntinha impertinente - ou será impenitente?


Estamos em tempo de crise. Há gente a viver no limiar da pobreza. Em cima disso, estamos em tempo de catástrofes várias, pelo que há gente a viver no nada, apenas com a roupa que tem no corpo. São dados adquiridos, certo?

Apesar disso, o Patriarcado está a preparar-se para pagar 200 mil euros para um palco todo XPTO, alegadamente inspirado nos seixos do Tejo, que querem colocar em cima do mega maltratado Cais das Colunas, ali no Terreiro do Paço, para o Papa vir a Lisboa, rodeado de 60 bispos, rezar uma missa.

Será que com tanta gente a precisar de pão para a boca, é mesmo preciso gastar um pequeno balúrdio num projecto arquitectónico para usar e deitar fora? Aliás, o Patriarcado anda à procura de um mecenas que se chegue à frente com o guito. Mais um bocadinho e também clama pela solidariedade dos telefonemas de valor acrescentado...

E depois admiram-se que as pessoas não se revejam nesta Igreja...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O cu da coisa


Conduzir em Portugal é como andar enfiado numa matilha de cães, há sempre um a cheirar-nos o cu, venha a 50 ou a 150 km por hora. O conceito de distância de segurança parece absolutamente inexistente, apre. O que vale é que o fulano desta tarde, depois de ter ameaçado o meu várias vezes, lá mudou de faixa armado em esperto e acabou por se ir enterrar no cu de um Audi, ali mesmo ao meu lado.

Ainda a próposito de cu, eu sou mulher de rádio. Não sei andar de carro sem sintonizar algures, nos últimos tempos na Best FM, abençoada, que a partir da hora do almoço dá-me rock do bom, inclusive nacional, ena ena. Mas tinham mesmo que, em vez de nos ir dizendo os nomes das bandas que passam - em especial as portuguesas, ouviram? -, lançar um concurso para eleger o melhor rabo de 2009?

p.s. se alguém por aí me souber dizer que banda canta um tema que diz que o mundo vai desabar e que eu não consigo deixar de trautear, ficava muito agradecida, sim...

Small


Às vezes vou
a andar na vida,
a lucidez vem
e esmurra-me.

Lembra-me apenas
do pequenina
que sei
que sou.

Para referência futura


É só para nos lembrarmos de quem continua a ganhar, com crise ou sem crise, em especial quando voltarem a aumentar qualquer coisinha, como taxas de juros...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

La Bersagliera

Hoje sei porque fixei o nome de La Bersagliera, corriam os idos de noventa e tal e, em cinco noites, dormi em quatro países diferentes. Foi para reconhecê-la agora - e ao específico cheiro de porto de mar e ao específico ruído de barcos e cordame e águas revoltas.

A noite sem sono levou-me para a porta dos infernos, devia escrevê-lo entre aspas, claro, "A Porta dos Infernos". Logo no início, a dedicatória arrepia-me. "Para Anna. Que o teu riso se prolongue até ao Além e aqueça aqueles que nos fazem falta".


Na segunda página lá está o restaurante. Parado no tempo, numa Nápoles onde jantei entre gargalhadas, que calcorreei a três, madrugada dentro, numa ânsia estranha de ver as fachadas históricas recém limpas e iluminadas, e onde acordei atrasada - mas de alma cheia - para aquele animal insano que são as suas ruas em hora de ponta.

Não me lembro do empregado morto-renascido, junto à máquina do café, alimentado a vingança. Será que já então existia na mente do francês que o apresentou ao mundo em 2008?

É com a sensação de que tudo tem uma razão de ser que leio página após página, que desço ao túmulo dos seus - podiam ser os meus - mortos, que amo e vingo; o dia a nascer inesperadamente com sol, só paro na última e o sono nunca chegou a vir.

Não sei se era um bom livro. Não recordo se comi realmente bem ou mal em La Bersagliera nos idos de noventa e tal. Sei que uni dois pontos no tempo e era eu no espelho.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A certeza


"... é verdade que nunca mais vais estar comigo

mas nunca mais estaremos separados..."

saint-exupery

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Molhado


Molhado o beijo
com que na tua boca
despeço o dia.

Provocação
pura
para começar a noite.

Faço de ti
o meu pecado
e as horas perdem-se
na madrugada.

Molhado o beijo
com que na tua boca
acordo o dia.

Branca


Há pessoas inesperadas na nossa vida. Pessoas que surgem por mero acaso e, mal damos por isso, estão a mexer connosco. Pessoas que, no meio de uma conversa extraordinária, me perguntam pelos meus autores portugueses preferidos e eu, de repente, não sabia mais nomes além de lobo antunes e saramago. Terei parecido uma tonta, a tentar dar a volta ao discurso, que banal terei parecido aos seus olhos. E pelos meus passavam as estantes lá de casa, atravancadas, cheias de nomes que não conseguia ler na memória. Há pessoas assim, que nos fazem distrair de nós e sabe tão bem.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Magia


Não há magia. Branca ou negra.

Existem apenas laços que nos unem além dos limites terrenos, ligações que permanecem além da distância
e da deterioração física dos corpos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Desabafo

Tudo bem que coiso e tal, as palavras têm um sentido assim e assado, mas se há palavras que me irritam sobremaneira são "inenarrável" e "indescritível". Se as coisas não são narráveis ou passíveis de descrição, então por que carga de água quem geralmente as usa goes on and on and on na tentativa de provar que as usou indevidamente?

Pior quando a maioria das vezes é jornalista de microfone na mão e câmera na frente, que devia saber melhor do que isso no que toca a escolha de palavras...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dançar à chuva


Amo fervorosamente a distância que nos une.
Este silêncio ensurdecedor que nos completa.

Em cada gesto que vai ficando por fazer a dois
sei a partilha que deles não precisa.

Eis a vitória
do incorpóreo
sobre o corpóreo.

Stop


Enunciado:
Há um lugar de estacionamento paralelo.
Um carro inicia a manobra para estacionar.
O carro está em movimento de marcha atrás.
Há uma pessoa no passeio.
A pessoa decide atravessar para o outro
lado da rua.

Pergunta:
Por onde atravessa a pessoa?

Resposta - para quem precisava mesmo dela...
A pessoa atravessa fora da passadeira,
precisamente atrás do carro que está
em movimento na direcção dela.

Anotação:
às vezes dá cá uma vontade de acelerar...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Verdade de La Palisse:

Há coisas na vida que fazemos por impulso
e que mudam a nossa vida radicalmente.
Fim de enunciado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

o que fazer? Talvez f...



TODOS os funcionários?
Mesmo os que já passaram da idade da procriação?
Mesmo os inférteis?
Ao fim de quanto tempo sem resultados lhes é revogado o privilégio?

E como seria em Portugal... onde Cavaco há tão pouco tempo exortou à necessidade de estimular a natalidade?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

sol ou sombra


forçados a possuir as nossas sombras
escolhemos o caminho do sol
para as tornarmos mais densas
mais relevantes.

é no calor que o fresco se exalta.

é no contraste que o mundo se cria
e reconhece.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Dislates


Amanheceu cinzento e eu tenho tanto sono que não consigo dormir. Estou aquém de mim, não chego lá para me dar a mão. Queria ler mas as palavras escapulem-se como formigas irrequietas. Há uma música estranha que não me abandona o pavilhão auricular. E subitamente esta imagem faz sentido.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nota prática


Primeiro post de 2010: uma informação relevante para eliminar um dos factores de stress de grande parte das relações que incluem convivência entre quatro paredes.

Meninas, uma das grandes razões para os meninos não perceberem lá muito bem o que vocês querem deles está no léxico.

Meninos, uma das grandes razões para as meninas não entenderem porque raio vocês não fazem simplesmente o que vos pedem no léxico está.

O essencial da mensagem é este:
- Querido, não deixes o TAMPO da sanita levantado. E, já agora, se não tiveste paciência para o levantar e depois baixar, limpa os pingos, está bem...

Enquanto não falarem um português decente e souberem exactamente qual é qual, a coisa não vai lá. Quem ainda tiver dúvidas entre tampo e tampa veja a imagem anexa atentamente, pode ser? Obrigadinha.