sexta-feira, 31 de julho de 2009

Vamos brindar...

Sabem como é que temos a certeza de que estamos a entrar na fase "velhos"?


Quando apanhamos o Eduardo Santana no "Verão Total", da RTP1, em Paredes de Coura, a cantar o "Vinho Verde" - e acompanhamos a letra toda sem um único engano.

Lindo serviço...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Emoção


Pollock pinta. Não é Pollock. É quem lhe veste a pele. Chama-se cinema. Mas pinta. Salpica. Atira. Movimenta tinta no ar. Regista-lhe o trajecto na tela. Pollock vive naquele instante. Vive naqueles quadros. E percebe-se por que é arte aquilo que fez.

Quando é que me canso de ver este filme? Quando é que desisto de lhe invejar o indíce de loucura que o tornou grande?

terça-feira, 28 de julho de 2009

Uma história exemplar

Quando decidi que queria comprar o "Crimes Exemplares", do Max Aub, era esta a edição que tinha em mente. Ilustrada. E quando arranquei para a Feira do Livro foi por ela que procurei.


Ratinha de biblioteca, perco sempre mais tempo nas bancas dos alfarrabistas do que propriamente naqueles quiosques que parecem plastificados, cobertos de capas multicoloridas, tudo a cheirar muito a novo. Num deles a surpresa: uma edição bem mais singela, também da Antígona, de 1995, sem as belas ilustrações da que procurava, mas bem mais em conta, claro. Era minha! Nem a folheei. Estiquei a nota de cinco ao homem, enfiei o livro no saco recheado já de outras pequenas pérolas assim apanhadas, e depositei-o em casa na estante dos "A Ler".

Foi ontem que peguei nele. Levei-o comigo para a cama. Aconcheguei-me nas almofadas ligeiramente inclinadas e abri-o. De dentro da fininha centena de páginas caiu um postal. Pensei que este anúncio antigo da Atalanta Filmes a "Dead Man", do Jim Jarmush, teria sido apenas o marcador de alguém. Virei-o.

"Página 21
Matei-o primeiro...
Boa leitura."

A assinatura parece primeiro um Q. Depois talvez seja um A, redondinho, com perninhas. Tem um ponto final anexo. É uma letra bonita, mas não parece de mulher. Imagino a pessoa que deixou o livro no alfarrabista, a dar-se ao trabalho de pegar no anúncio-postal, a pensar na frase que ali deixaria, a guardá-lo cuidadosamente entre páginas.

Procuro a página 21. Leio as duas linhas e meia a que corresponde. Volto a arrumar o postal no seu abraço, fecho o livro. Apago a luz, aconchego-me, durmo. Era o suficiente para alimentar a minha imaginação durante uns tempos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Apetece-me


Apetece-me os pés à babugem das águas, mojito en mano, ao fundo uma música qualquer daquelas que, daqui a uns anos, quando as ouvirmos, vamos sempre associar àquele verão. Apetece-me o livro adiado, o sono em dia, o corpo liberto, a mente livre das grilhetas de ser paga para pensar, para estar atenta, para traduzir em palavras as palavras dos outros, os pensamentos dos outros, as angústias dos outros. Apetece-me o silêncio. Apetece-me tempo para me concentrar nas minhas próprias palavras, nos meus pensamentos, nas minhas angústias, nos meus próprios ecos. Apetece-me parar no tempo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mãos - coração


Vale a pena dar de nós. Vale a pena esticar a mão. Às vezes somos mordidos, é um facto. Mas às vezes descobrimos uma mão firme que, apesar dos balanços da vida, aceita a nossa sem pedir mais em troca do que essa pequena generosidade. Obrigada pelas mãos que seguram a minha.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Anda uma mãe a criar um filho para isto

Ele há coisas extraordinárias. Na RTP1, uma história simples/mente complicada. Uma educadora de infância tinha a seu cargo uma sala com 28 crianças e andava há meses com sintomas de doença - tosses, rouquidão...

Só agora se confirmou: tem tuberculose activa. Claro que, agora, há umas dezenas valentes de crianças diagnosticadas com tuberculose latente e obrigadas a tomar quatro comprimidos por dia durante os próximos tempos.

Pergunta: independentemente da existência de um diagnóstico oficial, esta senhora não deveria ter percebido que, estando doente - mesmo podendo ser apenas uma gripe resistente, algo que se espalha como cogumelos - deveria afastar-se do contacto regular com aqueles meninos e meninas para não os contagiar?

E entregamos nós os nossos filhos todos os dias a gente assim...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E o jeito que dá falar a sério uma língua estrangeira...



Querem uma camada de urticária? É ficarem atentos às promos do canal AXN desta semana. O rapazinho que faz a respectiva voz off até tem uma voz sexy - nunca será mais sexy do que a do Artur, que será feito de ti, rapaz? - mas, por amor da santinha da comunicação, aquilo é cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca.

A jeitosa da Debra Messing passou a "missing".
O boneco do Jude Law passou a "low".
O falecido do Heath Ledger passou a "head".

E porrada, aceita-se?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Armados em quê?


Oh pá, a sério, precisam mesmo que eu diga alguma coisa? Só se for que sugiro já aqui que façam o mesmo com os coveiros de Portugal, mas decorados com caveiras. Pode ser?

O Tó Colante


Para a malta não ficar na dúvida se o carro foi rebocado ou pura e simplesmente gamado, os senhores que mandam inventaram um autocolante para aplicar no passeio ou algures ali perto de onde a viatura se encontrava por forma à malta ficar com a certeza.

Ora tendo em conta que do que a cidade estava mesmo a precisar era de mais coisas coladas por aí, já estou a imaginar o cenário lindo que vai surgir em certas zonas de estacionamento selvagem.

Mas pronto, era isso ou melhorar o sistema de registo informático nos parques existentes e talvez dar emprego a mais uma ou duas pessoas na central telefónica para onde as pessoas telefonam a pedir a informação.

Assim, já alguém ganhou o "concurso" para fornecer os belos autocolantes amarelos. E, com sorte, quando dermos por isso, já alguma outra empresa ganhou outro "concurso" para criar brigadas para limpar a cidade...

Nós ficámos a ganhar o quê? Nem juízo, que continuamos a estacionar onde não devemos, certo?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

E a vida apanhou-a


Chamava-se Carmen. Era espanhola, ali de Cádiz. Deu um saltinho à California, mentiu na idade, recebeu uma inseminação artificial e, a um mês de fazer 67 anos, dava à luz gémeos - conseguiu o que queria e também ir parar ao livro Guiness de recordes.

Depois a vida apanhou-a. Acaba de morrer de cancro, aos 69.

p.s.: esta história não tem moral alguma, apenas duas crianças que ficam órfãs.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A romãzeira


Há pessoas que conseguem descrever momentos ao pormenor, viagens ao detalhe, emoções com minúcia. Assumo uma certa inveja. Às vezes gostava de poder recordar assim as coisas que vivo e tantas são.

Mas talvez por serem muitas, arquivo-as na alma com palavras de código. O fim-de-semana que fica para trás terá sempre como referência a romãzeira. Alguém saberá porquê?

sábado, 4 de julho de 2009

Tatuagem de vida


Todos temos medos. Medo disto, medo daquilo, muito medo de arriscar.
Medo de perder o pássaro na mão, de trocar o certo pelo incerto, de andar de cavalo para burro. E se não for para melhor? E se não correr bem? E se me arrepender?

Há pessoas que vivem tolhidas pelo medo. Não vivem, ponto. Sonham com os céus azuis riscados pelas suas asas esplendorosas - passam as noites no escuro a arrancar as próprias penas para que não seja possível ceder à tentação do risco.

O que é que podemos fazer para afastar o medo? Para o afugentar de vez? Não sei.

Mas sei que é possível acordar um dia e o medo que longamente se acalentou está desfeito em mil pedaços - como nuvens levadas pelo vento deixando brilhar um dia de sol que faz esquecer todos as horas cinzentas de angústia. Sei que é possível um dia chorar-se de vergonha pelo tempo que se esvaiu nos braços do medo.

Mas também sei que não há que olhar para trás. E que reconhecer o sabor do medo e saber que já o vencemos uma vez pode ser uma arma poderosa para ter no futuro.

Venha o futuro. Tatuado na pele, a cheirar a amor.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O poder da escolha


Depois da mania de querer tudo calibradinho, finalmente a União Europeia lá pensou melhor e deixou que a fruta - entre outras coisas - pudesse chegar ao mercado de vários tamanhos e aparências.

Não era sem tempo. Para a fruta e legumes os mesmos direitos que para escolher um parceiro para a vida! Por que é que não haveríamos de ficar com o tipo baixinho, ossudo, careca e meio tocado, se é dele que gostamos mais?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Travão, precisa-se!

Se há coisa que me põe os fernicoques em franja é alguém aproximar-se de mim pé ante pé e surpreender-me no último instante. Fico possessa, é um facto.

Sendo que isso não se aplica apenas às pessoas...
Depois de toda a comoção em torno dos combustíveis - greve, filas e tudo -, os preços baixaram e dei por mim a emocionar-me com o regresso ao tempo em que enchia um depósito na linha dos 40 euros.


Depois, a cada vez que voltava à minha gasolineira habitual descobria que, pé ante pé, assim como quem não quer a coisa, o precioso líquido tinha subido dois cêntimos, e dois cêntimos, e dois cêntimos.

Tenho facturas datadas com uma semana de diferença, a última delas a corrente, em que o que vos digo se prova: numa paguei 1,29 euros por litro, na seguinte 1,31, ontem 1,34! Portanto, os tais preços que disparam a polémica voltaram às alturas de antes e ninguém abre o bico. É tempo de férias, o sol brilha, está calor, caguemos nisso.

Argumentos? Lol! Quando baixa o petróleo o stock que têm ainda é do mais caro. Quando o petróleo aumenta, coitados, têm logo que aumentar mais um bocadinho. Estamos presos por ter carro e presos por não ter.

Não os mando roubar para a estrada - porque isso é precisamente o que eles andam a fazer...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O desacordo



Vivo da escrita. Para o bem e para o mal. Vivo de transformar ideias, conceitos, discursos, factos, pensamentos em letra de forma. A língua portuguesa é a minha ferramenta de trabalho.

Até há algum tempo tomei a opção consciente de ignorar olimpicamente o novo acordo ortográfico. Ah, até isso chegar... Ah, estou-me marimbando... Ah, enquanto o pau vai e vem...

O pau vem aí. Dizem que vai entrar em vigor ainda este ano. E eu sentei-me a olhar melhor para o que aí vem.

E se algumas coisas fazem algum sentido, embora eu ache que tira a beleza a muitas palavras - como baptizar/batizar ou excepcional/excecional - outras são um verdadeiro crime ao bom entendimento entre os povos que tanto querem facilitar a comunicação.

Querem um exemplo ridículo? Passaremos de espectáculo a espetáculo. Aqui da minha varandinha sobre a língua pátria, um espetáculo seria não uma manifestação cultural mas sim um local onde se espetam coisas. Mas isso sou eu, que tenho mau feitio.

Mas há coisas bem mais sérias. Por exemplo? De acta passaremos a ata. Que eu saiba - mas quem sou eu... - ata é o presente do indicativo do verbo atar, na terceira pessoa do singular. Eu ato. Tu atas. Ele ata.
E eu é que me sinto atada perante tal desatanço diarreico-mental.

E de pêlo passaremos a pelo. Conseguem imaginar a confusão que isto vai dar? Eu consigo. Por isso prefiro um beber um copo para tentar engolir mais este sapo.

sábado, 27 de junho de 2009

Dúvidas metódicas


E se tudo isto for apenas o grande golpe do século para se escapar às dívidas monumentais?

E se Michael Jackson não está morto?

E se daqui a uns tempos começam a vê-lo às compras no Lidl de Singapura?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Efeminação do macho nacional

As mulheres queixam-se: já não há homens como antigamente.

Não sou propriamente das que faz gala em usar a frase a torto e a direito, como umas quantas que conheço, mas subscrevo-a. Da minha varanda sobre o macho nacional avisto-os fraquinhos, muito fraquinhos. E a vários níveis.

O que mais me aborrece é provavelmente aquele em que parecem fêmeas. Aquela coisa do "oh-ele-deixou-me-estou-tão-traumatizada-não-sei-se-vou-conseguir-entregar-me-de-novo-a-outro-homem" ouve-se agora constantemente na boca dos meninos. Aquele jogo do não-vou-ligar-a-ver-se-ele-liga fazem-no eles. E amuam se não ligamos.

Dei por mim a ter pena dos machos a quem, noutros tempos, as fêmeas fizeram cenas parvas dessas. Felizmente nunca foi bem o meu estilo. Mas fui ombro para muitos que me diziam: mas porque é que a não sei quantas não pode ser mais como tu? Ora porra, porque se fosse como eu era só tua amiga, disse-lhe mil vezes.

E claro, casaram-se, tiveram dois meninos, meteram palitos um ao outro, e estão separados. Ela, que andava sempre naquelas ceninhas foleiras de gaja, é hoje uma divorciada toda para a frente. O pai dos filhos é apenas isso e o mundo é para viver, que nunca se sabe quando é que o amor pode voltar a cruzar-se connosco num dia em que até lavámos o cabelo.

Ele? Adoro-o. Mas raios me partam - não há semana em que não queira tentar saber que anda ela a fazer, se ainda fala dele, se a nova relação será a sério. E para ele? Ah, não. Está traumatizado, acha que não pode voltar a confiar em nenhuma mulher. E coitadas das desgraçadas que lhe caíram nas unhas nos últimos dois anos. Pagam pelo crime que não cometeram.

Como se não bastasse este estado das coisas, o que não faltam são nomes efeminados com os quais se pode baptizar os rapazinhos que vão nascendo - julgavam que eu tinha arrumado de vez o rol do registo civil?

Evo não deixam.

Mas Célio, Dálio, Élsio, Érico, Filomeno, Gildo, Gino, Guido, Ildo, Josefo, Lauro, Lídio, Liliano, Luzio, Magdo, Margarido, Marílio, Marto, Natálio, Susano, Tatiano e Vânio estejam à vontadinha.

Ou Sandro. Aliás, se estiverem mesmo tentados a dar cabo da vidinha do puto para o resto dos seus dias, chamem-lhe Sandro do Paraíso. Está na lista do "sim"...!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Não há justiça!

Uma pessoa chega de férias.
Uma pessoa vem de pázinha comprida para conseguir chegar ao ninho cagado para tirar aquilo dali pela surra lá mais para a noite.
Uma pessoa senta-se à mesa e estranha a presença de uma pomba estranha ali mesmo ao lado. Nah, não era o bebé crescido (vá lá entender-se como é que uma pessoa acha mesmo que é capaz de reconhecer um pombo no meio de milhares...).
Uma pessoa olha com mais atenção para ver quem raio se instalou no pedaço.
Uma pessoa não quer acreditar no que os seus olhos vêm.
Há dois novos ovos no ninho.

Porra! Alguém se importa de tirar o letreiro que diz Maternidade Avenida Almeida?!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Voa, voa...

Não há TV para ninguém. E agora que o pombo bazou - são uns ingratos, é o que é... - também não há aventuras mais ou menos aladas.

O que há é férias. Algo que, traduzido, significa: sem cheta para ir papar mundo, como gosto, fico por cá a cheirar a maresia (que ainda tenho frio para meter as nalgas nas ondas), a colocar os tão adiados rodapés novos lá em casa e assim a modos que a pintar umas coisas.

Tenho andorinhas nos olhos e onde já vai a Primavera.

sábado, 6 de junho de 2009

O alcatrão não engana

Ao que nos revelou o "Nós Por Cá", na SIC, há em Carnaxide uma rua a que chamam a "Estrada de Manteiga". O piso é de tal forma escorregadio, chova ou não, que os acidentes ali são mato e até dá para o incauto cidadão fazer patinagem artística se não se põe a fancos.


Por mim, montava-se uma bancada para assistir às batidas ao melhor estilo Stock Cars, vendia-se pipocas e bejecas e ainda podia haver uma barraquinha de t-shirts a dizer "Eu (ainda) não escorreguei".

Pronto, mas isto sou só eu. Que não gosto do conceito de desperdício.